já são horas
acorda, meu bem
olha o café
deixa comigo
o cheiro do pão quente
já são horas
acorda, vagabundo
come o pão
amassado pelo demo
vai que é tua
cheiro de suor e lágrima
acorda
acorda
acorda
quem tem mais
e quem não tem mais
acorda
acorda
acorda
domingo, 27 de outubro de 2019
sábado, 12 de outubro de 2019
a selva bruta
lateja o talo já enrijecido
- enjoa joana -
fluídos que escorrem
pra fora e pra dentro
- enjoa, joana, enjoa -
a flor se abre
- escorre o néctar -
o pêssego partido ao meio
- lá vem o suco -
a seiva bruta vai à fruta
é a selva bruta
o beija-flor chega à flor
e uma folha rosada do trevo
traga as sobras da seiva
- enjoa joana -
fluídos que escorrem
pra fora e pra dentro
- enjoa, joana, enjoa -
a flor se abre
- escorre o néctar -
o pêssego partido ao meio
- lá vem o suco -
a seiva bruta vai à fruta
é a selva bruta
o beija-flor chega à flor
e uma folha rosada do trevo
traga as sobras da seiva
sexta-feira, 1 de março de 2019
jogo de castas mascadas
há muito ciclo sem reciclo
sem pino
vertino
vertido e sorvido
capacho
capaz
a canalhice reposta
sem pano
vertendo
e
a resposta aos canalhas
capricha
replica
atinge em cheio
direto
derruba
sem pino
vertino
vertido e sorvido
capacho
capaz
a canalhice reposta
sem pano
vertendo
e
a resposta aos canalhas
capricha
replica
atinge em cheio
direto
derruba
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
salve malandragem
revela, cara, revela! distrai o osso, impede o vício e levanta. faz o que tem de ser feito e abre a janela pra respirar. troca a lâmpada queimada e inverte os papeis com o cobrador. dá um pinote e sai. vai visitar a mãe, leva o cachorro e bota o agasalho. não te deixa envelhecer, muito menos envilecer! escuta a mensagem que vem do tambor, que um zé deve ser tratado como o Zé e esteja certo de que o teu zé interior vai te levar pra cima. olha pro lado e repara que tem gente aí junto. e não guarde segredos. revela tudo! revela, cara!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
parasitas humanoides
por debaixo do cadafalso existe um riso sinistro de quem só está ali pra devorar fígados humanos. curiosamente, tem a mesma índole de quem está sobre outro patíbulo: é mentiroso, mas acusa o enforcado de falsidade; tem personalidade sádica e sente tesão em ver algum diferente sofrer até a morte; só tem amor pela autobajulação e entra em gozo profundo cada vez que percebe a caça a algum adversário. quando acoado por notarem que faz o que acusa nos outros, se esconde. mas no fundo sabe que seu tempo como devorador de fígado é muito curto e teme já ir preso logo que todos perceberem a quantidade de merda que carrega consigo, o quanto é feito de restos, de sobras e de sombras. deixará um rastro de podridão e um punhado de pares que também não resistirão ao próprio instinto destrutivo.
domingo, 4 de novembro de 2018
nós e eles
pensávamos que eles eram tolos, que a visão de mundo deles era a errada e a nossa, a certa. estávamos convictos de que eles não entendiam de nada e que nós tínhamos razão por pura e simples ideia de que conhecíamos bem o assunto porque estávamos envolvidos nele há bem mais tempo, que havíamos lido livros, ponderado pesquisas sérias e conhecíamos melhor a história. acreditávamos que éramos capazes de enxergar melhor o que estava por vir e que eles, os que não acreditam no amor e na humanidade, nas formas diferentes de encarar a vida, os que considerávamos desalmados, acreditávamos que estes estivessem errados. mas também nos parecia óbvio e indubitável que eles se arrependeriam depois de perceberem o erro que estavam cometendo. ao menos a maioria deles nos procuraria pra dizer que haviam sido enganados, ou que não imaginavam que a realidade seria a que nós havíamos avisado. estávamos prontos pra cobrar o aviso prévio ou pra consolá-los e afirmar que estávamos no mesmo barco. mas a razão realmente não era nossa e havíamos nos enganado o tempo todo. boa parte disso tudo não aconteceu e não acontecerá. não houve, não há e não haverá arrependimento. mas ao menos ainda temos a ironia.
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
o maior desafio do ser humano é lidar com o abstrato e o subjetivo. a
dependência do referencial nos sentidos e a incapacidade de conviver
com o etéreo, a imaginação e a forma de compreender o mundo a
partir do olhar do outro são motivos dos sofrimentos da humanidade. fazemos guerras por não sabermos perceber as necessidades,
interesses, desejos e angústias do outro. nada que seja concreto
poderá angustiar e causar o mesmo sofrimento do que algo abstrato. a
dificuldade é tão grande que há quem procure substituir conceito
por exemplo e sensações por algo tátil. basta a necessidade de
imaginar ou sentir pra que comecem as broncas. a fome, a ignorância
em relação aos bens culturais e patrimônios imateriais do outro
acabam motivando a desumanidade. a religiosidade alheia, ou a
ausência dela, faz com que o indivíduo esqueça dos seus próprios
dogmas. E nessa história toda, não faltam pessoas com capacidade
de interpretar o mundo bem limitada que acaba acreditando que a
solução é o concreto, jogando o medo ao colo dos diferentes.
quarta-feira, 25 de julho de 2018
o silêncio é prece
mas parece mais um sinal de que daqui a pouco o mundo vai acabar
ele costuma nos fazer encolher, comprimindo o peito e a cabeça, empurrando pra baixo
parece que há uma prece pra encolher a gente
quem dera um sussurro viesse como um sopro dentro de um balão
quem dera uma gargalhada
mas parece mais um sinal de que daqui a pouco o mundo vai acabar
ele costuma nos fazer encolher, comprimindo o peito e a cabeça, empurrando pra baixo
parece que há uma prece pra encolher a gente
quem dera um sussurro viesse como um sopro dentro de um balão
quem dera uma gargalhada
segunda-feira, 21 de maio de 2018
donos de si
à lona foi o lutador
com os dentes engolidos
tragado pela força do opositor
- a dura tarefa de tentar o impossível
ao chão foi o carrasco
diante de tanta força dos condenados juntos
e decapitado foi o dono do machado
o vento no rosto
a roupa esvoaçante
e os pés descalços
- foram buscar clemência na marra
com os dentes engolidos
tragado pela força do opositor
- a dura tarefa de tentar o impossível
ao chão foi o carrasco
diante de tanta força dos condenados juntos
e decapitado foi o dono do machado
o vento no rosto
a roupa esvoaçante
e os pés descalços
- foram buscar clemência na marra
sexta-feira, 18 de maio de 2018
gratidão
parêntese para agradecimentos
gosto de ser lido, especialmente quando transmito mensagens cifradas. também gosto de agradecer por tudo que recebo. assim sendo, queria agradecer imensamente aos leitores por estimularem a que eu atualize este espaço. há uma alegria em mim a cada vez que acesso o analytics e vejo o crescimento o no meu número de leitores.
um agradecimento especial quero mandar aos leitores de jaguarão, na fronteira como o meu amado uruguay. naquela simpática e amável cidade, descobri o maior índice de leitores per capta. só nos últimos 20 dias, 17 novos acessos foram registrados, o que não é pouco pra um blog sobre arte transgressora que não faz publicidade alguma.
o inusitado de tudo isso é que não tenho amigos jaguarenses, além do meu doce fruto fronteiriço, o que me deixa ainda mais orgulhoso.
agradecimento feito, parêntese fechado e o convite a que sigam visitando minhas postagens. sintam-se à vontade pra comentar.
gosto de ser lido, especialmente quando transmito mensagens cifradas. também gosto de agradecer por tudo que recebo. assim sendo, queria agradecer imensamente aos leitores por estimularem a que eu atualize este espaço. há uma alegria em mim a cada vez que acesso o analytics e vejo o crescimento o no meu número de leitores.
um agradecimento especial quero mandar aos leitores de jaguarão, na fronteira como o meu amado uruguay. naquela simpática e amável cidade, descobri o maior índice de leitores per capta. só nos últimos 20 dias, 17 novos acessos foram registrados, o que não é pouco pra um blog sobre arte transgressora que não faz publicidade alguma.
o inusitado de tudo isso é que não tenho amigos jaguarenses, além do meu doce fruto fronteiriço, o que me deixa ainda mais orgulhoso.
agradecimento feito, parêntese fechado e o convite a que sigam visitando minhas postagens. sintam-se à vontade pra comentar.
sexta-feira, 27 de abril de 2018
autobiografia de um povo massacrado por um crápula
a gente escolhe passar humilhação
porque acredita que um dia vai melhorar
um dia o algoz se transformará no salvador
um dia o tirano virará um estadista
e deixará de ser prisão pra se tornar liberdade
mas o fato é que o algoz continuará matando
o tirano continuará cada vez mais tirano
e a prisão vai se tornando masmorra
mas prenderam a gente também em pensamento
ao ponto de a gente escolher passar humilhação
porque acredita que um dia vai melhorar
um dia o algoz se transformará no salvador
um dia o tirano virará um estadista
e deixará de ser prisão pra se tornar liberdade
mas o fato é que o algoz continuará matando
o tirano continuará cada vez mais tirano
e a prisão vai se tornando masmorra
mas prenderam a gente também em pensamento
ao ponto de a gente escolher passar humilhação
não nasci ontem
nem durmo de touca
e sei bem esperar o peixe morder a isca
quando navego
enquanto navego na web
vou jogando syberminhocas
e os baiacus que registram visita
julgando-se tubarões
acabarão
traídos pela própria ganância
(o peixe morre pela boca)
sou muito maior que esses peixes
mesmo que se pensem cardumes
pois beira mar não me falta
e quem me cuida não dorme
baiacu, chama os teus
que sei extrair teu veneno
e te janto sem precisar semana santa
nem durmo de touca
e sei bem esperar o peixe morder a isca
quando navego
enquanto navego na web
vou jogando syberminhocas
e os baiacus que registram visita
julgando-se tubarões
acabarão
traídos pela própria ganância
(o peixe morre pela boca)
sou muito maior que esses peixes
mesmo que se pensem cardumes
pois beira mar não me falta
e quem me cuida não dorme
baiacu, chama os teus
que sei extrair teu veneno
e te janto sem precisar semana santa
robocop psicólogo
parafusos caídos
cabeça totalmente frouxa
vai perdendo a sanidade
vai perdendo a vitalidade
vai perdendo a noção das coisas
vai ganhando sensatez
vai virando adulto
vai aprendendo
afrouxando as amarras
e apartando parafusos alheios
foi numa noite quente como a de hoje que conheci gilmar e de pronto o convidei pra morar comigo. de pronto simpatizei com ele, que sentou no braço do sofá e caminhou sobre a minha mão, depois voou. leitores perguntarão por que eu teria dado esse nome a um besouro e eu responderei que gosto desse nome, mas principalmente porque meu amigo tinha cara de gilmar. e digo tinha porque ele resolveu procurar outro lugar mais iluminado. tive um certo receio que alguma visita maltratasse meu amiguinho de corpo robusto e zumbido em lá menor. gilmar era elegante, com seu jeito de me dizer que voltaria, mas como é o costume aqui em casa, é mais um que não volta. talvez eu precise rever a minha forma de agir. talvez eu não esteja sendo hospitaleiro suficiente ou esteja sendo demais. o fato é que o besouro resolveu bater as asas, assim como já o fizera a mariposa ano passado. depois dela, ainda tive a tragédia de ver a lagartixa poliana afogada na espuma dentro do box do banheiro. ainda teve a formiga que teve sua passagem talvez por causas naturais. mas o fato é que meus companheirinhos foram saindo daqui de casa das mais variadas formas: uma enterrada no xaxim da samambaia e a outra no vaso da flor de maio; uma bateu as asas e sumiu pela janela do quarto e o outro pela sacada.
só me restaram as traças.
só me restaram as traças.
segunda-feira, 16 de abril de 2018
atordoante
circula por aí a notícia de que o cara aquele fez aquilo com aquele outro. dizem que tem testemunhas e tudo, mas até agora só se escuta falar que não se entendem. o estranho é que parece não haver um caminho pra se chegar ao ponto, à verdade, ao centro do caso ou sequer à existência materializada do caso. já foi dito que aquilo estava dentro das normas e ouvido que as infringia. houve quem tivesse certeza de que o cara era culpado e quem duvidasse da existência daquilo. porém já é sabido que só as palavras pronunciadas dizendo que aquele cara teria feito aquilo com o outro seria um fato. alguns ficaram amedrontados, outros confusos, poucos com total convicção, ainda que não conseguissem comprovar essa absoluta certeza. no final das contas, ou no início do problema, decidiram que o outro faria aquilo naquele cara. o outro sentiu-se poderoso e não parou mais, fazendo aquilo com outros e outros, até que se decidisse que um terceiro deveria intervir e fazer o outro parar de fazer aquilo com outros. no fim, já eram vários e vários fazendo aquilo com os demais.
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