segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Temporal desideia

O Eco ensina a reverberar honestamente mostrando como reverberam os delays desonestos que o subterrâneo de vez em quando... e a gente fica aqui, com cara de quem caiu da mula empacada, sedento por espaço, e acaba tentando voltar ao lombo da mula, mas é ela quem nos instrui no final das contas e acabamos por carregá-la nas costas e aceitamos que ela paste e poste suas fotos descabidas depois de mais uma aula sobre a memória do peixe e vamos seguindo, um passo de cada vez, rumo à trazeira do trem que dá ré.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Fui no Psicodália e não voltei de lá

Fui no Psicodália deste ano e não voltei de lá. Parece estranho o que escrevi no período anterior, pois há um estranhamento sintático aí. E antes que alguém queira fazer a brincadeirinha interna, não me chamo Wagner. Aliás, ninguém precisou gritar o meu nome. Mas o que descrevi é real e direto, uma vez que neste momento estou distante de Rio Negrinho/SC uns mil quilômetros, mas isso é meu corpo, meu raciocínio lógico e minha necessidade diária de tocar nas coisas. No que se remete à realidade concreta do que realmente vale na vida, no que diz respeito aos instintos e a objetividade cardíaca do amor, nisso eu fiquei. Não saio mais dos degraus do ambulatório, onde experimentei assistir um show num palco enquanto o som era passado por outra banda no outro. Fixei raízes pertinho da barraca, onde reencontrei amigos e amigas que não via desde outras existências, seja para tomar um gole, seja para a brasa do churrasco vegano, seja para o chimarrão na minha cuia uruguaia.
Fiz muito amor no Psicodália. Calculo que tenha feito amor com umas 6 mil pessoas, incluindo o pessoal que se apresentou e o que organizou tudo. E foi maravilhoso!
Também tive muitas experiências, as quais sempre despertavam minha vontade, mas não fazia por falta de oportunidade legal. A que compartilho aqui é a minha primeira vez com uma saia. Há tempos que tinha vontade de vestir algo que me deixasse sentindo mais livre e após encomendar o desenho para a afilhada e a costura para a mãe, acabei experimentando a maravilha que é poder sentir o arzinho por baixo da roupa e os cuidados especiais ao sentar numa escadaria. E valeu muito a pena. Recomendo, em especial, aos conterrâneos que pensam que dentro de uma bombacha se cria o bicho solto. Sou muito mais a saia nesse quesito, além de nos dar um pouquinho de noção do que passa uma mocinha que "precisa aprender a ter modos", como nosso machismo de cada dia tortura as mulheres desde a infância.
Ano passado, como choveu bastante durante o festival, acabei não desfrutando de tudo que gostaria. No entanto, este ano o tempo foi ensolarado e descobri que também não tem como fazer tudo. Por isso, tomei a decisão de fazer tudo, ainda que o Psicodália faça sua pausa para hibernação e só desperte lá pelo meio do ano para nos animar com a contagem regressiva e com as surpresas sobre as atrações, resolvi que ficarei lá. Não voltei e não voltarei de lá.
Quanto às vivências que tive, minhas impressões mais detalhadas e eticéteras, isso é coisa para um outro post, que pretendo fazer se e quando voltar. Também pretendo revisar este texto, já que no momento as minhas mãos tocam no teclado do notebook em Pelotas, RS, e eu estou na serra catarinense.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Acrós-tico

Muitas vezes, nos deparamos com pessoas
E essas pessoas não são exatamente pessoas
Umas até são, mas outras não
Pode ser que sejam, mas não as considero exatamente assim
Até porque costumam agir como animais irracionais
Uma estupidez que reside nelas!
Devido a tanto desgosto que temos
Estou pensando em evitar
Ou quem sabe me abster
Cada vez que uma estupidez é dita -
Uivam as pessoas estúpidas, digo eu -
Lhes diria mil argumentos e seria em vão.
Ou, quem sabe,
Seria o caso de mandar-lhe fotos do Gonzo!

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Rascunho ou boceto?


O texto que apresento na sequência é um rasconha, digo, rascunha, ou melhor, um boceto, como dizem os hispânicos, do que será ou seria uma letra para uma música. Como careço de tempo, é possível que nunca venha a ser composta, mas queria compartilhar. E estou compartilhando em todos os aspectos: o leitor ou a leitora que se interessar em musicar tal porcaria, tem total liberdade. Não precisa me pagar nada por isso. Porém, caso eu não seja citado como autor e este blog não apareça nos créditos, fique avisado que vou processar e pedir indenização!




Leia, leia o que está aqui
nesta quarta carta
Leia, leia o que escrevo sobre tudo
sobretudo
o que você parou pra pensar?

Quando você sua, sua mão
passa pelos pelos
pelos polos
do meu porto

quando você ouve
- o que houve?
pensa e dispensa
finge que não vê
e ponto.

Quando você disse
que dispensa o que eu disse
Leia
enquanto você sua
seu olor invade este papel
Leia

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Poema atonal


Engasgo com tua voz
extrema imersão desesperada
com doze tons que organizam a bagunça
no meu pensamento atonal

atual, como a poesia morta
pelos sons que nasceram organizados
os doze irmãos
vão e voltam, verso e inverso

e a matemática
que multiplica
divide
e subverte

irmãos subversivos
que me engasgam com tua voz
atual, como poesia morta
que subverte

os sons que nasceram organizados
extrema imersão desesperada
divide
a matemática

vão e voltam, verso e inverso
no meu pensamento atonal
que multiplica
os doze irmãos

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

No espelho, me espalho


A Lúcia alucinada
perdeu o tempo com o Pedro
e o Mauro mal roeu um biscoito
já quebrou o dente
do alho e óleo da massa al dente
com os champignons que Lúcia preparou
pra alucinar Alice
e também Alice alucina Lúcia
- e a Lúcia a luzir
com o tempero do Pedro
e a Kelen que perdeu o Tino
enquanto eu ficava aqui
com isso tudo e sem nada,
procurando bosta de zebu depois da chuva
e no espelho me espalho

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Multipluripan

não sou chegado no mercado
pois sou marcado até dizer chega
pelas teorias que me deixam cega
e a tica crítica me t'enfadado

nem planejo um dia ser publicizado
- no vai e vem a vida me renega
com os filhos do chão que os desemprega
injustamente rejeitados

pra que tanto confete, regua e metro
se a quantidade só interessa
quando da matéria certa?

pra que fingir que eu soneto
se não sou neto de Gregório?
talvez a masculina pressa

Celeste, se leste

ando muito barroco
oco no meio dos extremos externos
do esterno, osso que ora
a cada hora, cada penhora
cada senhora que desce a mão
uma freira que me desse a mão
que me fizesse decolar
ir do mar às nuvens

paro no escuro, claro
perdido pelos entalhes
nas cornijas me desequilibro
pouco rococó rouco

Celeste, se leste este poema
e não entendeste, é porque ele deveria estar em braile



quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Ida e volta

Olá! Tem alguém aí?
Deste lado, tem. Ou melhor, talvez tenha. Ou pior, talvez não tenha. É... acho que não tem.
É o benefício da dúvida
E o benéfico da dívida.
Ou a dádiva de Benfica
Que bem fica em Portugal, ou na Suíça, e não aqui, na Suíça, com seus belos alpes e matreiros bancos, onde acho que não tem ninguém.
Ou, melhor, talvez não tenha. Ou, pior, talvez tenha. Acho que tem!
Então, pare já de fazer perguntas!

sábado, 19 de setembro de 2015

Desautomática

À cátedra que já jaz
meu desatado desacato
escancarado e percorrido
por um relógio que amoleceu
com um tempo escorrido
e um bigode retorcido

Vou desacatar e desobedecer
romper a rampa
a trampa e o trampo
da graforreia catedrática drástica
quebrada
Google Analytics Alternative