uma das características humanas é a busca por encontrar-se no mundo. identidade, pertencimento e outras geografias. vejamos um caso exemplar de alguém buscando e encontrando seu lugar, retirado de uma notícia recebida através de um parente em comum:
dizem que usou uma droga pesada. droga que pode fazer a pessoa sair de si e não mais voltar. como se ela despregasse a energia da matéria, ou alguma metáfora dessas, sem jamais repregar. usou. mas foi diferente. sentiu que havia conseguido quebrar uma barreira que impedia seu contato com o mundo ao qual pertence. um outro planeta, talvez. soaram as trombetas!
quarta-feira, 8 de julho de 2020
domingo, 12 de abril de 2020
XXXXXXXXXXX
enquanto eu aqui, minha alma na cama. coisas loucas acontecem em tempos de pandemia. abro o armário da dispensa e procuro um par de meias. mijo na área de serviço e tomo café sentado na privada. lavo a louça no chuveiro. agora faço café diariamente pra ver se alivia a gastrite que minha cabeça cria. olho pras unhas da minha alma e elas estão longas e lindas. muito bem feitas, aliás. olho pra mim e vejo o tempo perdido e o tempo ganho. o perdido e o ganho. metade se foi, metade ficou. a vida como incenso. a alma minha.
um corte bem feito é um corte discreto
um corte perfeito é um corte gritante
luz na rua
luna nua
viajei à roda do meu quarto
e levei o meu demônio a passear
como fumaça que tá no ar
açúcar queimado é o peito que trata
uma retomada bem feita é anunciada
uma retomada perfeita é percebida
minha alma tem coisas que me despertam muito interesse. talentos, sentidos. coisas sensatas desaparecem na pandemia. quero um suco, espremo um sorriso. tenho fome, como uma gargalhada. ansiedade? uma dose de gozo. café pra gastrite que a cabeça cria. alma de unhas per-feitas. o tempo perdido e o tempo ganho. a vida como incêndio e a alma amada.
um corte bem feito é um corte discreto
um corte perfeito é um corte gritante
luz na rua
luna nua
viajei à roda do meu quarto
e levei o meu demônio a passear
como fumaça que tá no ar
açúcar queimado é o peito que trata
uma retomada bem feita é anunciada
uma retomada perfeita é percebida
minha alma tem coisas que me despertam muito interesse. talentos, sentidos. coisas sensatas desaparecem na pandemia. quero um suco, espremo um sorriso. tenho fome, como uma gargalhada. ansiedade? uma dose de gozo. café pra gastrite que a cabeça cria. alma de unhas per-feitas. o tempo perdido e o tempo ganho. a vida como incêndio e a alma amada.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
Engasgo com tua voz
extrema imersão
desesperada
com doze tons que
organizam a bagunça
no meu pensamento
atonal
atual, como a poesia
morta
pelos sons que
nasceram organizados
os doze irmãos
vão e voltam, verso
e inverso
e a matemática
que multiplica
divide
e subverte
irmãos subversivos
que me engasgam com
tua voz
atual, como poesia
morta
que subverte
os sons que nasceram
organizados
extrema imersão
desesperada
divide
a matemática
vão e voltam, verso
e inverso
no meu pensamento
atonal
que multiplica
os doze irmãos
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
carta aberta para os poucos ainda livres
alegando insanidade, vou-me retirando de fininho. saio de cena por um jogo de sena. venci na vida e perdi no tempo. portanto, não sou um vencedor, tampouco perdedor é um adjetivo que me compete. aliás, não compito. sou um mero artista passando por um breve momento de insensatez. não sei se há vazio na minha bagunça interna ou se há bagunça no meu vazio. prefiro-me retirado a permanecer fingido, prefiro a dolorosa experiência de levar um soco no estômago do que a prazeirosa felicidade de presente que se ausenta pela mão do carrasco. aliás, prefiro o carrasco que bate no peito e se autoproclama ao que executa dizendo que o matador é o que está com o pescoço enrolado na corda. sou insano? não, não sou. estou. a bem da verdade, insensato e insano. o raciocínio lógico me leva a pensar que são opostas, mas insensatez e insanidade convivem. geralmente nos felizes. algumas vezes nos distraídos. quase sempre nos injustiçados. mas vou-me retirando de fininho. insano e insensato. pra que nunca mais aconteça. pra que ninguém mais nos esqueça. nunca mais quero competir. nunca mais quero metade.
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
o saco, vazio, foi parar no pé. o sacro vazio não para em pés descalços. a seco, a soco, quem trabalha foi parar no vazio da lona. os dentes arrancados, o chão molhado e uma senhorinha sorridente do lado de fora vibrava. gritavam que saco de pancada vazio não cai longe do pé. foi então que o estômago que já roncava há tempos deu seu rugido e chamou pelos demais. e todos os estômagos foram levantar a voz contra aquele juiz impetuoso que se julgava o guardião das batatas. e foi assim, num golpe só, que a justiça foi feita. o julgador teve a cabeça cortada e exposta na entrada do vilarejo, pra que sempre seja lembrada a força que tem uma multidão de estômagos. e o vazio do sacro acabou abarrotado de sentidos, lógicas, compreensões e iluminação.
domingo, 27 de outubro de 2019
sábado, 12 de outubro de 2019
a selva bruta
lateja o talo já enrijecido
- enjoa joana -
fluídos que escorrem
pra fora e pra dentro
- enjoa, joana, enjoa -
a flor se abre
- escorre o néctar -
o pêssego partido ao meio
- lá vem o suco -
a seiva bruta vai à fruta
é a selva bruta
o beija-flor chega à flor
e uma folha rosada do trevo
traga as sobras da seiva
- enjoa joana -
fluídos que escorrem
pra fora e pra dentro
- enjoa, joana, enjoa -
a flor se abre
- escorre o néctar -
o pêssego partido ao meio
- lá vem o suco -
a seiva bruta vai à fruta
é a selva bruta
o beija-flor chega à flor
e uma folha rosada do trevo
traga as sobras da seiva
sexta-feira, 1 de março de 2019
jogo de castas mascadas
há muito ciclo sem reciclo
sem pino
vertino
vertido e sorvido
capacho
capaz
a canalhice reposta
sem pano
vertendo
e
a resposta aos canalhas
capricha
replica
atinge em cheio
direto
derruba
sem pino
vertino
vertido e sorvido
capacho
capaz
a canalhice reposta
sem pano
vertendo
e
a resposta aos canalhas
capricha
replica
atinge em cheio
direto
derruba
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
salve malandragem
revela, cara, revela! distrai o osso, impede o vício e levanta. faz o que tem de ser feito e abre a janela pra respirar. troca a lâmpada queimada e inverte os papeis com o cobrador. dá um pinote e sai. vai visitar a mãe, leva o cachorro e bota o agasalho. não te deixa envelhecer, muito menos envilecer! escuta a mensagem que vem do tambor, que um zé deve ser tratado como o Zé e esteja certo de que o teu zé interior vai te levar pra cima. olha pro lado e repara que tem gente aí junto. e não guarde segredos. revela tudo! revela, cara!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
parasitas humanoides
por debaixo do cadafalso existe um riso sinistro de quem só está ali pra devorar fígados humanos. curiosamente, tem a mesma índole de quem está sobre outro patíbulo: é mentiroso, mas acusa o enforcado de falsidade; tem personalidade sádica e sente tesão em ver algum diferente sofrer até a morte; só tem amor pela autobajulação e entra em gozo profundo cada vez que percebe a caça a algum adversário. quando acoado por notarem que faz o que acusa nos outros, se esconde. mas no fundo sabe que seu tempo como devorador de fígado é muito curto e teme já ir preso logo que todos perceberem a quantidade de merda que carrega consigo, o quanto é feito de restos, de sobras e de sombras. deixará um rastro de podridão e um punhado de pares que também não resistirão ao próprio instinto destrutivo.
domingo, 4 de novembro de 2018
nós e eles
pensávamos que eles eram tolos, que a visão de mundo deles era a errada e a nossa, a certa. estávamos convictos de que eles não entendiam de nada e que nós tínhamos razão por pura e simples ideia de que conhecíamos bem o assunto porque estávamos envolvidos nele há bem mais tempo, que havíamos lido livros, ponderado pesquisas sérias e conhecíamos melhor a história. acreditávamos que éramos capazes de enxergar melhor o que estava por vir e que eles, os que não acreditam no amor e na humanidade, nas formas diferentes de encarar a vida, os que considerávamos desalmados, acreditávamos que estes estivessem errados. mas também nos parecia óbvio e indubitável que eles se arrependeriam depois de perceberem o erro que estavam cometendo. ao menos a maioria deles nos procuraria pra dizer que haviam sido enganados, ou que não imaginavam que a realidade seria a que nós havíamos avisado. estávamos prontos pra cobrar o aviso prévio ou pra consolá-los e afirmar que estávamos no mesmo barco. mas a razão realmente não era nossa e havíamos nos enganado o tempo todo. boa parte disso tudo não aconteceu e não acontecerá. não houve, não há e não haverá arrependimento. mas ao menos ainda temos a ironia.
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
o maior desafio do ser humano é lidar com o abstrato e o subjetivo. a
dependência do referencial nos sentidos e a incapacidade de conviver
com o etéreo, a imaginação e a forma de compreender o mundo a
partir do olhar do outro são motivos dos sofrimentos da humanidade. fazemos guerras por não sabermos perceber as necessidades,
interesses, desejos e angústias do outro. nada que seja concreto
poderá angustiar e causar o mesmo sofrimento do que algo abstrato. a
dificuldade é tão grande que há quem procure substituir conceito
por exemplo e sensações por algo tátil. basta a necessidade de
imaginar ou sentir pra que comecem as broncas. a fome, a ignorância
em relação aos bens culturais e patrimônios imateriais do outro
acabam motivando a desumanidade. a religiosidade alheia, ou a
ausência dela, faz com que o indivíduo esqueça dos seus próprios
dogmas. E nessa história toda, não faltam pessoas com capacidade
de interpretar o mundo bem limitada que acaba acreditando que a
solução é o concreto, jogando o medo ao colo dos diferentes.
quarta-feira, 25 de julho de 2018
o silêncio é prece
mas parece mais um sinal de que daqui a pouco o mundo vai acabar
ele costuma nos fazer encolher, comprimindo o peito e a cabeça, empurrando pra baixo
parece que há uma prece pra encolher a gente
quem dera um sussurro viesse como um sopro dentro de um balão
quem dera uma gargalhada
mas parece mais um sinal de que daqui a pouco o mundo vai acabar
ele costuma nos fazer encolher, comprimindo o peito e a cabeça, empurrando pra baixo
parece que há uma prece pra encolher a gente
quem dera um sussurro viesse como um sopro dentro de um balão
quem dera uma gargalhada
segunda-feira, 21 de maio de 2018
donos de si
à lona foi o lutador
com os dentes engolidos
tragado pela força do opositor
- a dura tarefa de tentar o impossível
ao chão foi o carrasco
diante de tanta força dos condenados juntos
e decapitado foi o dono do machado
o vento no rosto
a roupa esvoaçante
e os pés descalços
- foram buscar clemência na marra
com os dentes engolidos
tragado pela força do opositor
- a dura tarefa de tentar o impossível
ao chão foi o carrasco
diante de tanta força dos condenados juntos
e decapitado foi o dono do machado
o vento no rosto
a roupa esvoaçante
e os pés descalços
- foram buscar clemência na marra
sexta-feira, 18 de maio de 2018
gratidão
parêntese para agradecimentos
gosto de ser lido, especialmente quando transmito mensagens cifradas. também gosto de agradecer por tudo que recebo. assim sendo, queria agradecer imensamente aos leitores por estimularem a que eu atualize este espaço. há uma alegria em mim a cada vez que acesso o analytics e vejo o crescimento o no meu número de leitores.
um agradecimento especial quero mandar aos leitores de jaguarão, na fronteira como o meu amado uruguay. naquela simpática e amável cidade, descobri o maior índice de leitores per capta. só nos últimos 20 dias, 17 novos acessos foram registrados, o que não é pouco pra um blog sobre arte transgressora que não faz publicidade alguma.
o inusitado de tudo isso é que não tenho amigos jaguarenses, além do meu doce fruto fronteiriço, o que me deixa ainda mais orgulhoso.
agradecimento feito, parêntese fechado e o convite a que sigam visitando minhas postagens. sintam-se à vontade pra comentar.
gosto de ser lido, especialmente quando transmito mensagens cifradas. também gosto de agradecer por tudo que recebo. assim sendo, queria agradecer imensamente aos leitores por estimularem a que eu atualize este espaço. há uma alegria em mim a cada vez que acesso o analytics e vejo o crescimento o no meu número de leitores.
um agradecimento especial quero mandar aos leitores de jaguarão, na fronteira como o meu amado uruguay. naquela simpática e amável cidade, descobri o maior índice de leitores per capta. só nos últimos 20 dias, 17 novos acessos foram registrados, o que não é pouco pra um blog sobre arte transgressora que não faz publicidade alguma.
o inusitado de tudo isso é que não tenho amigos jaguarenses, além do meu doce fruto fronteiriço, o que me deixa ainda mais orgulhoso.
agradecimento feito, parêntese fechado e o convite a que sigam visitando minhas postagens. sintam-se à vontade pra comentar.
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