já são quatro e desperto
vinte minutos depois, só sonho acordado
tento
não vai
coração acelera
adormeço para o dia
saio para o trabalho
ônibus
carona
sou quase atropelado
acordo numa vitrine colorida
com uma imagem que me incomoda
volto a dormir
ando mais
sonâmbulo que sou
uma sequência de sons desordenados me desperta mais uma vez
fico tentando entender o que isso significa
até a irritação me levar de volta ao onírico
já me perdi nas horas
- durante o sono, perdemos a noção
no caminho de volta, sonho com histórias
- contadas, vividas, vistas por mim
já na cama, desperto
já são quatro e desperto
aguardo vinte, cinquenta, duas
e volto a adormecer para o dia
segunda-feira, 6 de junho de 2016
sábado, 4 de junho de 2016
Cena do amor clandestino de um lunático por Liberdade
não sou nem sombra do que gostaria
pois a carne não satisfaz mais
e falta luz
já não há espaço para respirar
porém, há olhos para julgar
e há olhos para serem lidos
tudo acordado
todos de acordo
todos acordados, então
respira
respira
respira
transmuta, explode, eclode
e volto a ser o que és
voamos, pois
já que só nos resta a fuga
atravessar a fronteira
virar sombra
pois a carne não satisfaz mais
e falta luz
já não há espaço para respirar
porém, há olhos para julgar
e há olhos para serem lidos
tudo acordado
todos de acordo
todos acordados, então
respira
respira
respira
transmuta, explode, eclode
e volto a ser o que és
voamos, pois
já que só nos resta a fuga
atravessar a fronteira
virar sombra
quinta-feira, 2 de junho de 2016
A arte morreu, graças a deu
agora temos o sonho, a sufocação da vida e o ar rarefeito da virtude
Os museus escondem a beleza para mostrar sujeita e pornografia
diabolismo penetrante
sexualidade em carvão sobre tela
formas geométricas violadoras
agora temos o torpor, a dispineia desvirtuada e a incomunicabilidade
bolhas de sabão
tudo girando, girando, girando
tontura e cheiro de tinta
fumaça branca
incomunicabilidade e morte
a morte veio de marte - nomina-se um vídeo nonsense
e nomes que confundem a gente branca:
afro? indígena? oriental? árabe? outro? que outro?
como assim, outro?
mulheres que dão e que não dão
e isso não interessa a mais ninguém
tudo girando, girando, girando
coisas gigantes
e a arte, a bela e genial arte, jaz no cemitério de arquitetura neoclá,
no torpor da dispineia que impede a comunicação
Os museus escondem a beleza para mostrar sujeita e pornografia
diabolismo penetrante
sexualidade em carvão sobre tela
formas geométricas violadoras
agora temos o torpor, a dispineia desvirtuada e a incomunicabilidade
bolhas de sabão
tudo girando, girando, girando
tontura e cheiro de tinta
fumaça branca
incomunicabilidade e morte
a morte veio de marte - nomina-se um vídeo nonsense
e nomes que confundem a gente branca:
afro? indígena? oriental? árabe? outro? que outro?
como assim, outro?
mulheres que dão e que não dão
e isso não interessa a mais ninguém
tudo girando, girando, girando
coisas gigantes
e a arte, a bela e genial arte, jaz no cemitério de arquitetura neoclá,
no torpor da dispineia que impede a comunicação
quarta-feira, 25 de maio de 2016
honey - 70's in Brazil
to the worst translator
- or do it yourself the translation
honey
love me or smash up me the head with a baseball bat
but don't do to love the bat
don't try it to me
honey
everything I wanted was to love you
everything I wanted was to tie you
everything I wanted to do you speak
honey
lucky you to have escaped
before I break your head with this beautiful brick
lucky you're not here
honey
segunda-feira, 23 de maio de 2016
A simplicidade do subcomunicável
Seria de grande valia se a sinceridade fosse metalinguística e nos ensinasse a aceitar as verdades que nos fariam sinceros. Provavelmente, teríamos um grande avanço nas tecnologias e nas ciências incultas, nas pesquisas com células mortas, nas viagens intergalácticas. Conseguiríamos explicar a heterossexualidade, a ideologia de gêneros textuais e a plurissignificação de uma taça de vinho. A certeza maior é de que o mundo seria mais igual ao que jamais há sido e as populações mais frágeis estariam recebendo suas belas doses de esteróides com bifes de fígado. O tempo derretido sob o ácido que nenhum Salvador Dali da Bahia conseguiria representar em calepsidra digital e que nenhum Baumann conseguiria ~~~~~
Seria de grande valia se a metalinguística fosse mero acaso e nos sujeitasse na medida em que as misteriosas forças do que não está enquadrado nos reconduzissem ao sonho e nos fizessem menos brutais, nos tornando mais sutis, etéreos, esteróides~~~~~
Seria de grande ajuda se a clareza que nos espanta não mais nos usurpasse o sorriso, se o grito de agonia contido fosse transformado em uma gargalhada doce, com sabor de nuvem branca, se o líquido e o vapor comungassem pra nascer um novo estado de loucura, de visões com cores fortes e difusas, porém nos fazendo perceber que é possível encontrar a cura da infâmia, produzir litros e litros de elixir contra a insuficiência, a ciência e intolerância a Lacan ~~~~~
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Ce n'est pas une nouvelles (Ceci ne est pas qu'un plagiat de Magritte)
Magritte pornográfico
disse que não era
depois de por no gráfico
à francesa já tinha
enquadrado a boca torta
- o pior cego é o que não lê
que Magritte pinta e você pita
e como "pinta com'eu pinto"
posnográfico a boca
da leitura revelada
disse que não era
depois de por no gráfico
à francesa já tinha
enquadrado a boca torta
- o pior cego é o que não lê
que Magritte pinta e você pita
e como "pinta com'eu pinto"
posnográfico a boca
da leitura revelada
terça-feira, 17 de maio de 2016
50ŋ370
2x8=16
5x5=25
21x5=105
8²=36
3x11=33
7x5=35
√625=25
√256=16
2x10+3=33
(8-3)x5=25
2(15+3)=36
(4x5)+(3x5)=35
(2x4)+(3x5)=23
(20,75x12)-(12²)=105
5x5=25
21x5=105
8²=36
3x11=33
7x5=35
√625=25
√256=16
2x10+3=33
(8-3)x5=25
2(15+3)=36
(4x5)+(3x5)=35
(2x4)+(3x5)=23
(20,75x12)-(12²)=105
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Poeta contém porâneo
Vou mudar minha configuração,
diria um poeta descolado.
Deslocado em sua própria condição -
na pretensão de estar-se adaptado
à contemporaneidade que lhe há cercado
dizendo "do comum não quero nada"
e seu nada é tudo tanto igual
Escreveu desconstruindo um soneto
com métrica assimétrica
pé quebrado
e sonoridade dissonante
Quebrou a ordem das estrofes
inventou termos que crostimaram
e quebrou arrima que a sustentava
Inventou continuação
e matou a poesia.
diria um poeta descolado.
Deslocado em sua própria condição -
na pretensão de estar-se adaptado
à contemporaneidade que lhe há cercado
dizendo "do comum não quero nada"
e seu nada é tudo tanto igual
Escreveu desconstruindo um soneto
com métrica assimétrica
pé quebrado
e sonoridade dissonante
Quebrou a ordem das estrofes
inventou termos que crostimaram
e quebrou arrima que a sustentava
Inventou continuação
e matou a poesia.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
a nova e necessária busca do novo de novo
o clichê é um chiclete que perdeu o sabor
de tanto mascarar e surrar amoral
do marcado fonográfico
frases desfeitas não enfeitam, mas enfrentam
como um fraseado musical de microtons
é mais valor que mais valia
é preciso abrir mão do de sempre
e é preciso cuspir fora o chiclete
porque é tudo farinha do mesmo asco
o clichê é um livro de etiquetas
que etiqueta quem o lê
chato da porra
que marca e merca
num fraseado como um
que mais vale pra quem valha-te
lugares incomuns transformam
havida como a vida é
como uma tarde na fruteira
ou comum mal secreto
de tanto mascarar e surrar amoral
do marcado fonográfico
frases desfeitas não enfeitam, mas enfrentam
como um fraseado musical de microtons
é mais valor que mais valia
é preciso abrir mão do de sempre
e é preciso cuspir fora o chiclete
porque é tudo farinha do mesmo asco
o clichê é um livro de etiquetas
que etiqueta quem o lê
chato da porra
que marca e merca
num fraseado como um
que mais vale pra quem valha-te
lugares incomuns transformam
havida como a vida é
como uma tarde na fruteira
ou comum mal secreto
terça-feira, 5 de abril de 2016
O homem tradicional
Atordoado pela própria obediência,
resignou-se à cátedra e à poça d'agua.
Cambaleado pelo trilho do trem,
comprometeu-se com a Gravidade.
Enformado pelas paredes da sala,
acatou a ordem da TV.
Viveu anos assim,
aceitando a moldura e a forma,
a referência e a instituição,
o sagrado e a tradição,
tudo igual aos antepassados,
como quem engole terra
até explodir de tédio.
Depois, cobrou que todas as pessoas fossem assim,
do mesmo jeito que o tinham obrigado a ser.
quarta-feira, 30 de março de 2016
Pior do que nunca
As pedras que
quebram vidraças
estilhaçam em
partes torpes
das tropas
atrapalhadas
aquarteladas da
distopia
êh, tradição da
traição
êh, família em
quadrilha
êh, impropriedade
Os padres que abrem
vidraças
e as luzes filtradas
pela estúpida nuvem de fumaça
que não entram na
escuridão clichê
de um chiclete
êh, ambição da
omissão
êh, unha na carne
suja
êh, proselitismo
Os pedros que
atravessam vidraças
estraçalham nos
trapos sobre tapetes
mastigando vidro
moído
e pensando que vai
livrá-lo do livro
êh, atropelo
êh, unha na
tradição
êh, consumercadismo
terça-feira, 29 de março de 2016
Tempo é espaço
o relógio difuso
diante de um vidro embaçado
da janela lateral
acompanhado do reflexo de um velho carvalho
uma parede descascada e com reboco esfarelento
no conta-gotas da calha furada
pingando sobre as latas de tinta seca quase vazias
afastando-se mais
as paredes ganham cores
ringidos dentro da casa caindo
o ruído e a ruína
crianças transparentes correm no quintal
terra barrenta
cheiro a esterco
em plano geral
chuva fina e rala próxima e a caminho
entre a casa e a silhueta dos morros ao fundo
explosão de um pixel
canto borrado
gosto de café
diante de um vidro embaçado
da janela lateral
acompanhado do reflexo de um velho carvalho
uma parede descascada e com reboco esfarelento
no conta-gotas da calha furada
pingando sobre as latas de tinta seca quase vazias
afastando-se mais
as paredes ganham cores
ringidos dentro da casa caindo
o ruído e a ruína
crianças transparentes correm no quintal
terra barrenta
cheiro a esterco
em plano geral
chuva fina e rala próxima e a caminho
entre a casa e a silhueta dos morros ao fundo
explosão de um pixel
canto borrado
gosto de café
segunda-feira, 28 de março de 2016
Mimimi do ex
Lá se vai a lasciva
com sua atitude de mulher que gosta de ser
Lá se via lasciva
com sua postura de quem detém o poder sobre si mesma
Lá se vaia lasciva
com seu olhar de desdém à minha opinião
Lá se vai à lasciva
com sua boca encarnada e a decisão de aceitar ou não
Lá se vai a lasciva
Lasciva lá vai
Se lá vai lasciva
Lasciva lá se vai
com sua atitude de mulher que gosta de ser
Lá se via lasciva
com sua postura de quem detém o poder sobre si mesma
Lá se vaia lasciva
com seu olhar de desdém à minha opinião
Lá se vai à lasciva
com sua boca encarnada e a decisão de aceitar ou não
Lá se vai a lasciva
Lasciva lá vai
Se lá vai lasciva
Lasciva lá se vai
domingo, 27 de março de 2016
Feliz páscoa, Alice
Acordei com um coelho cheirando meu nariz
tinha os olhos vermelhos
ao perceber que o percebi me percebendo
saiu correndo, mas sem pressa excessiva
como quem foge, mas querendo ser visto
tropecei
caí perto da porta por onde o orelhudo recém havia fugido
ao meu lado, docinhos de várias cores e sabores
e uma xícara de chá, onde estava escrito "beba-me!"
resolvi comer um dos doces coloridinhos - uma figura engraçada de um homem com uma cartola na cabeça
depois bebi
adormeci
Acordei com um coelho cheirando meu nariz
tinha os olhos vermelhos
ao perceber que o percebi me percebendo
saiu correndo, mas sem pressa excessiva
como quem foge, mas querendo ser visto
tropecei
caí perto da porta por onde o orelhudo recém havia fugido
ao meu lado, docinhos de várias cores e sabores
e uma xícara de chá, onde estava escrito "beba-me!"
resolvi comer um dos doces coloridinhos - uma figura engraçada de um homem com uma cartola na cabeça
depois bebi
adormeci
Acordei com um cheiro de coelho em meu nariz
tinha os olhos sorridentes
ao perceber que o percebi gargalhando
saiu dando voltas e mais voltas, me deixando tonto
fui atrás e tropecei
caí, também gargalhando, perto dos doces e de uma xícara de chá
onde se lia "sorria, você está se divertindo!"
e o coelho gargalhava e corria na minha volta
e eu tentava acompanhar
comendo docinhos
tomando chá
vi alguns antepassados que me convidavam pra brincar feito criança
que felicidade a minha!
o chão ficou gelatinoso
depois parecia uma esponja
e o coelho correndo na minha volta e gargalhando
e eu gargalhando junto com ele
de repente
tum!
com um golpe sofrido na nuca, senti um líquido vermelho escorrendo pelo pescoço
ouvi uns gritos: - como ousa ser feliz! agora vai aprender a respeitar às leis!
tum!
- isso é pra tu aprendê! vagabundo!
tum!
mais líquido vermelho escorrendo
apaguei
acordei num lugar estranho, sem coelho, mas com uma hiena
que gargalhava, enquanto comia carne em decomposição,
e que me gritava: - vagabundo! ser feliz não pode! como ousa não tê carro! não querê casa com piscina! vagabundo!
percebi que estava nu
com o corpo todo arranhado
cheirando mal
enquanto isso, vi outras hienas começarem a chegar
todas gargalhando e apontando:
- destino de vagabundo é esse mesmo!
tinha os olhos vermelhos
ao perceber que o percebi me percebendo
saiu correndo, mas sem pressa excessiva
como quem foge, mas querendo ser visto
tropecei
caí perto da porta por onde o orelhudo recém havia fugido
ao meu lado, docinhos de várias cores e sabores
e uma xícara de chá, onde estava escrito "beba-me!"
resolvi comer um dos doces coloridinhos - uma figura engraçada de um homem com uma cartola na cabeça
depois bebi
adormeci
Acordei com um coelho cheirando meu nariz
tinha os olhos vermelhos
ao perceber que o percebi me percebendo
saiu correndo, mas sem pressa excessiva
como quem foge, mas querendo ser visto
tropecei
caí perto da porta por onde o orelhudo recém havia fugido
ao meu lado, docinhos de várias cores e sabores
e uma xícara de chá, onde estava escrito "beba-me!"
resolvi comer um dos doces coloridinhos - uma figura engraçada de um homem com uma cartola na cabeça
depois bebi
adormeci
Acordei com um cheiro de coelho em meu nariz
tinha os olhos sorridentes
ao perceber que o percebi gargalhando
saiu dando voltas e mais voltas, me deixando tonto
fui atrás e tropecei
caí, também gargalhando, perto dos doces e de uma xícara de chá
onde se lia "sorria, você está se divertindo!"
e o coelho gargalhava e corria na minha volta
e eu tentava acompanhar
comendo docinhos
tomando chá
vi alguns antepassados que me convidavam pra brincar feito criança
que felicidade a minha!
o chão ficou gelatinoso
depois parecia uma esponja
e o coelho correndo na minha volta e gargalhando
e eu gargalhando junto com ele
de repente
tum!
com um golpe sofrido na nuca, senti um líquido vermelho escorrendo pelo pescoço
ouvi uns gritos: - como ousa ser feliz! agora vai aprender a respeitar às leis!
tum!
- isso é pra tu aprendê! vagabundo!
tum!
mais líquido vermelho escorrendo
apaguei
acordei num lugar estranho, sem coelho, mas com uma hiena
que gargalhava, enquanto comia carne em decomposição,
e que me gritava: - vagabundo! ser feliz não pode! como ousa não tê carro! não querê casa com piscina! vagabundo!
percebi que estava nu
com o corpo todo arranhado
cheirando mal
enquanto isso, vi outras hienas começarem a chegar
todas gargalhando e apontando:
- destino de vagabundo é esse mesmo!
sábado, 26 de março de 2016
Revolte-se
Suave é o sono, quando a gente dormiu pouco
enquanto aguarda a aguardente fazer efeito
feito um condenado a contar as horas
Suave é o sonho, quando a gente quase dorme
parece alucinógeno
parece fumaça branca
Suave é o som, quando a gente respira profundamente
quando faz o peito silbilar
ou disfarçar o ronco
Suave é viver na ilegalidade da palavra
onde o que se diz muitas vezes é contrário
e o verbo derruba o fato
Suave é o ronronar do gato
enquanto observa o pássaro pousar
e planeja a caça
enquanto aguarda a aguardente fazer efeito
feito um condenado a contar as horas
Suave é o sonho, quando a gente quase dorme
parece alucinógeno
parece fumaça branca
Suave é o som, quando a gente respira profundamente
quando faz o peito silbilar
ou disfarçar o ronco
Suave é viver na ilegalidade da palavra
onde o que se diz muitas vezes é contrário
e o verbo derruba o fato
Suave é o ronronar do gato
enquanto observa o pássaro pousar
e planeja a caça
Assinar:
Postagens (Atom)